Um doce remédio amargo

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Eu sempre fui (ou pelo menos achava que era) muito cuidadosa com as coisas dentro de casa por conta do nascimento do Dudu: materiais de limpeza guardados em armários e inacessíveis, tampas de privadas com lacre, armários trancados, portinha de ferro para impedir passagem, quinas protegidas enfim, o dever de casa de toda mãe. Porém, queridas mamães, vou ter que falar de um assunto que todas nós estamos carecas de saber, mas que infelizmente, tornou hoje, um dos piores dias da minha vida.

Diariamente aqui em casa, eu e o Dudu temos uma rotina mais ou menos pré estabelecida; acordamos eu vou me arrumar, troco a fralda dele, o arrumo, tomamos café e saímos. Como o pequeno está com uma alergia chata, ele está tomando um remédio “x”, que eu aproveito para dar antes de trocar a fraldinha dele já que ele fica deitado.

Pois bem, hoje, eu dei o remédio, e já estava no automático trocando a fralda dele quando eu olho, está o meu filho, feliz da vida, com o remédio (de gotas) na boca, chupando igual a chupeta, detalhe, ele conseguiu tirar a tampa. Na hora eu desesperada, arranquei da mão dele e botei na minha boca para ver a facilidade que líquido saía, e vi que quase não tinha que fazer força.Segunda coisa que fiz, ir na pia e ver quanto do remédio tinha sobrado para ter uma noção do quando ele tinha ingerido: sobraram três gotas. Terceiro passo, ler a bula:

Em caso de superdosagem  recomenda-se observação clínica em hospital com monitoração cardíaca e dos sinais vitais.

Caso a ingestão tenha ocorrido recentemente, pode-se induzir o vômito. Se o paciente tiver dificuldade de vomitar, proceder a lavagem gástrica com solução de cloreto de sódio a 0,45% e em seguida, instituir tratamento sintomático e de apoio.

Pronto, nem preciso dizer que nessa hora eu quase caí pra trás.

Peguei o meu filho (um ano tadinho) levei para o vaso e enfiei o dedo na guéla dele. Nada aconteceu, tentei uma, duas três vezes, de cabeça pra baixo, apertando barriga, até o meu dedo ficar todo mordido e nada. Nessa hora eu já estava com o coração arrasado de além do meu filhinho estar correndo o risco de sabe lá o que, ainda estar, aos olhos dele, sendo agredindo e machucando.

Tentei entrar em contato com a pediatra e nada, peguei o bichinho sem tomar café nem nada, botei no carro e fui ao hospital. E só nessa hora que eu percebi o quanto estava nervosa e tremula, o instinto estava falando mais alto e se duvidar até levei uma multa no caminho.

Chegando no hospital eu mal conseguia me comunicar na recepção, e quando fui para a triagem, o meu coração não aguentou e eu comecei a chorar, graças a Deus o atendimento foi bem rápido e logo ele foi examinado.

Ele teria que fazer exame de sangue (nunca tinha feito tadinho), lavagem gástrica (bota um pouquinho de soro, faz vomitar, mais um pouquinho de soro, faz vomitar e assim vai), ingerir carvão ativado, detalhe, tudo isso através de uma sonda no nariz com ele acordado e um eletrocardiograma acompanhando durante seis horas.

Resumindo, ficou sem comer nada até cinco horas da tarde, precisaram de quatro pessoas, me incluindo, para tentar imobiliza-lo, ele tirou a sonda cinco vezes, e foi muito, muito, muito judiado. E o pior de tudo… sem saber porquê.

Me senti arrasada e a pior mãe do mundo.

Divido isso com vocês juntamento com um pedido de atenção para todas pois, no meio dessa loucura, as enfermeiras me contaram o quanto esse episódio é comum. O remédio que o meu filho tomou é parece ser totalmente inofensivo, não tem tarja e todos nós usamos, mas na verdade, para esses pingos de gente, pode ser fatal. 

E digo mais, mães de dois, todos os exemplos que eu ouvi lá, os filhos mais velhos que tinham tomado, seja xarope sabor abacaxi ou remédio do pai, deram para os irmãos mais novos também! 

A partir de hoje vou seguir a recomendação da médica; guardar todos os remédios em uma caixa com chave.

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Como eu decidi parar de trabalhar e ser mãe tempo integral

Como eu já contei anteriormente, a minha gravidez foi super planejada e desejada, mas, diferentes das outras mães, eu não conversava com a minha barriga, não cantava, não li livros, não conhecia outras grávidas e tão pouco convivia com bebês. Então eu posso dizer que este “instinto materno” só me caiu quando eu realmente olhei o meu bebê pela primeira vez. Mas ai também… foi uma enxurrada tão grande de amor que saiu quebrando tudo que tinha no caminho, assim como os meus planos, minha rotina e minha vida.

Ai como eu amo esse pezinho!

Ai como eu amo esse pezinho!

Eu me lembro como se fosse hoje, quando a minha chefe me perguntou, quando eu estava com uns sete meses de gravidez, se eu iria voltar a trabalhar. E lembro melhor ainda qual foi a minha resposta:

-Claro que vou, mais do que nunca vou precisar!

A minha resposta foi a mais sincera possível, e até aquele momento não passava, nem em sonho, qualquer outra possibilidade pela a minha cabeça.

Pois bem… os meses se passaram, e por mais dores na coluna que eu tivesse, trabalhei até o último dia.

No dia do nascimento do Dudu (e meu também) eu tive aquela grande explosão de sentimentos que comentei no começo, e é claro, nem lembrava que trabalho existia, fiquei na minha “lua de leite” durante muito tempo, e tive até dificuldade de sair do “casulo” com o meu baby. 

A medida que os meses se passavam eu começava a refletir na vida, no trabalho, na rotina, em desmame, em ficar longe do Dudu… e isso me deixava doente. Tentava desviar o pensamento, e nada. Isso estava começando a prejudicar os bons momentos. Eu via que eu nunca conseguiria deixar aquela coisinha miúda longe de mim, chorando por não ter o seu peito, esperando horas até que eu fosse busca-lo etc.

Chegando próximo a data do retorno, eu tive que conversar sério com o meu marido, afinal de contas, essa decisão não se toma sozinha. Foram muitas noites e muitas horas pensando nos planos A, B e C, no que mudaria na nossa vida, no que abriríamos mão ($), no que seria melhor para o bebê e graças a Deus, nós compartilhávamos a mesma opinião. Era melhor eu ficar com ele.

Depois desse dia, a paz voltou para dentro de mim. Apesar de jamais ter passado pela minha cabeça nunca mais trabalhar na vida, muitas pessoas, é claro, criticaram. Ouvi coisas do tipo: você não vai se adaptar, você não consegue ficar parada (sabe de nada inocente), não vai conseguir se recolocar no mercado, ninguém contrata pessoa que parou de trabalhar depois que virou mãe. Enfim, um monte de asneiras. E é claro, só nós sabíamos o que era melhor para a nossa família.

Vejo que essa, foi uma das melhores decisões da minha vida. Pude ficar com o meu baby até eu sentir a necessidade NELE de ir para uma escolinha ou creche, curti cada sorriso, cada engatinhada, cada passo, cada colher de comida, cada palavra, cada fralda, enfim tudo o que a maternidade podia me oferecer.

Hoje ele está muito feliz na escolinha, entrou com 1 ano e sete meses, e eu voltei a trabalhar sem prejudicar em nenhuma virgula a minha carreira. Me considero, melhor profissional, mãe e mulher hoje pois tenho a maior motivação do mundo. Apoio e respeito muito as mães e escolhem se dedicar aos filhos nos primeiros anos de vida, porque como eu digo; Eu nunca trabalhei tanto na vida, mas nunca fui tão feliz!

Grandes beijos mamães!